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Projeto Esperança/Cooesperança inicia processo de transição



Um novo capítulo na história do Projeto Esperança/Cooesperança começa a ser escrito neste final de ano. A coordenadora da entidade, irmã Lourdes Dill, 70 anos, deixará o cargo após 35 anos de atuação em Santa Maria. A função passará a ser exercida por José Carlos Peranconi, o Zeca, 56, um dos líderes dos grupos de Economia Solidária no município.


A despedida da irmã Lourdes está marcada para o dia 2 de abril de 2022, quando serão comemorados os 30 anos do Feirão Colonial e 34 anos do Projeto Esperança/Cooesperança. A religiosa, a pedido da Congregação Filhas do Amor Divino, assumirá uma nova missão. Sua transferência será para a Diocese de Grajaú, no Maranhão. Ela atuará na cidade de Barra do Corda, onde seguirá trabalhando com pobres, Economia Solidária e povos indígenas.


Em reunião no Arcebispado, na manhã desta terça-feira (21), o arcebispo de Santa Maria, Dom Leomar Brustolin, garantiu que tanto o Feirão Colonial quanto a Feira Internacional do Cooperativismo (Feicoop) terão continuidade e o apoio da Igreja Católica. O encontro reuniu lideranças e voluntários do Projeto Esperança/Cooesperança.


"É uma transição após 35 anos de um trabalho incansável, mas é necessário dar continuidade ao Projeto. Toda mudança causa certa instabilidade e até dificuldade, mas os compromissos com a causa serão mantidos", afirma Dom Leomar.


Também estão previstas alterações administrativas. A sede do Projeto será transferida da Rua Silva Jardim, no Centro de Santa Maria, para o Centro de Referência de Economia Solidária Dom Ivo Lorscheiter, nos fundos do Parque da Medianeira, onde ocorre o Feirão Colonial nas manhãs de sábado e, anualmente, sedia a Feicoop.


Para garantir a continuidade de todas as ações, a Arquidiocese de Santa Maria firmará um comodato com a Cooperativa Cooesperança para uso gratuito do espaço. O acordo assegurará o uso do espaço pelos produtores, na condição de quem sejam mantidas as raízes do Projeto semeado por Dom Ivo Lorscheiter: fortalecer o cooperativismo, a Economia Solidária, a agricultura familiar, as formas de organização do comércio justo, ético e solidário, bem como o fomento de políticas públicas e as parcerias de trabalho com os catadores, povos indígenas, quilombolas e consumidores.


O Banco da Esperança, que desenvolve atividades assistenciais e foi impactado pela pandemia, será desvinculado do Projeto. Já a Feira da Primavera, que ocorre anualmente em setembro, será melhor avaliada sobre sua realização.


Na prática, o Projeto seguirá atuando como braço da Arquidiocese, sendo referência no desenvolvimento de ações sociais e parceiro de primeira hora em eventos da Igreja Católica.


"Agradeço a todos e levo a Deus um grande hino de ação de graças", diz irmã Lourdes

Nos próximos três meses, irmã Lourdes Dill pretende promover uma série de reuniões com lideranças da Economia Solidária e de parceiras do Projeto Esperança/Cooesperança a fim de promover uma transição madura e consciente. A sensação é de dever cumprido.


"Há um tempo para cada coisa. Meus 35 anos de Santa Maria foram tempos férteis, projetivos e muito importantes para a cidade, para o Brasil e para a América Latina no contexto da Feicoop. Fui alguém que puxei a frente de um coletivo de um grande grupo chamado Projeto Esperança/Cooesperança - Rede Esperança, que torna Santa Maria a capital mundial da Economia Solidária", reflete a irmã.


A religiosa destaca ser grata a Deus, Nossa Senhora Medianeira por todas as graças alcançadas, Congregação Filhas do Amor Divino e aos bispos Dom Ivo Lorscheiter, Dom Hélio Adelar Rubert e Dom Leomar Brustolin, e a todas as entidades e organizações que ajudaram a construir o Projeto, o Feirão Colonial e a Feicoop, em especial a Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), Instituto Federal Farroupilha (IFFAR), Prefeitura de Santa Maria, Cáritas Brasileiras, Cáritas Rio Grande do Sul, voluntários, veículos de comunicação e Arquidiocese.


"Fiquei muito tranquila quando Dom Leomar afirmou que não terão mudanças no Feirão Colonial, Feicoop e nas feiras no Centro de Santa Maria. Pelo contrário, serão potencializadas. Tenho certeza de que a semente plantada continua fortificando em Santa Maria, no Brasil e no mundo. Afirmo de coração que a Economia Solidária é uma outra economia que acontece. E que outro mundo é possível desde que cada um faça sua parte. Agradeço a todos e levo a Deus um grande hino de ação de graças", disse irmã Lourdes.


A despedida da religiosa, em 2 de abril, deverá contar com diversas atividades, incluindo uma edição especial do Feirão Colonial e a celebração de uma missa na Catedral Metropolitana, presidida pelo arcebispo.


"Não tenho medo, sabemos como tudo funciona", diz Zeca

João Carlos Peranconi sabe bem o tamanho da missão que o espera. Zeca, como é chamado por todos a sua volta, participa dos grupos de Economia Solidária desde 1989, apenas dois anos após a criação do Projeto Esperança. No Feirão Colonial ele possui uma banca onde comercializa malhas. Além disso, é um dos coordenadores da Feicoop, atuando na organização dos mutirões que atuam no evento.


"Substituir alguém nunca é fácil. Mas pelo tempo que estamos, temos formas de conseguir dar continuidade. Hoje, existe uma administração no escritório e outra na prática, agora vamos fazer tudo junto em um só lugar, no Centro de Referência. Não tenho medo, sabemos como tudo funciona", avalia Zeca.


Legalmente, Zeca assumirá o posto de presidente da Cooperativa Cooesperança. Na prática, junto aos grupos de Economia Solidária, sua função será a de coordenador do Projeto Esperança/Cooesperança, a mesma hoje desenvolvida pela irmã Lourdes.


Zeca também ressalta que dará continuidade ao trabalho desenvolvido pela irmã e quer aproveitar o período de transição para aprender a construir os projetos que possibilitam o desenvolvimento da Feicoop. Afirma também que seguirá mantendo uma gestão transparente, proporcionando a prestação de contas de todas as ações desenvolvidas no Centro de Referência.


Claudia Machado assumirá presidência municipal do Consea

A saída da irmã Lourdes de Santa Maria também impactará no Conselho de Segurança Alimentar (Consea/SM), presidido pela religiosa. Em reunião na segunda-feira (20), o órgão decidiu que Claudia Machado, também integrante do Projeto Esperança/Cooesperança, assumirá o posto em abril.


"O Consea deu um salto enorme com a irmã Lourdes e é um desafio grande, que exige bastante demandas. Mas por ser membro há algum tempo, já estou inserida no Consea e apropriada à temática da segurança alimentar. Vou dar continuidade ao trabalho da irmã e investir na parte formativa", projeta Claudia.


O Consea tem por objetivo articular e mobilizar a sociedade, formular políticas, programas e ações que configurem o direito humano à alimentação nutricional sustentável. É composto por oito representantes de governo Municipal, um do governo do Estado, um da UFSM, um do Banco do Brasil, 11 usuários e 11 membros da sociedade civil.


Texto e Fotos: Maiquel Rosauro, Jornalista (MTB/RS 13334)

(55) 996-811-384